Com a chegada do primeiro trimestre, aumenta a procura por informações sobre o Imposto de Renda 2026 — e o motivo é simples: quem se antecipa costuma errar menos e, quando tem direito, recebe a restituição mais cedo. O problema é que a maioria só corre atrás de documentos quando o prazo já está apertado, e aí surgem inconsistências, omissões e despesas lançadas sem comprovação. O resultado é conhecido: declaração retida, dor de cabeça e atraso no dinheiro.
Mesmo antes da Receita divulgar o cronograma oficial do ano, já dá para organizar o essencial e evitar os erros que mais derrubam contribuintes. A lógica é prática: reunir informes, conferir valores, separar comprovantes e entender o que realmente entra como renda e como despesa dedutível. Isso vale especialmente para quem fez bicos, recebeu como autônomo, investiu, vendeu bens ou movimentou valores relevantes ao longo do ano. Preparação é o que separa uma declaração tranquila de um problema que pode durar meses.
Os erros mais comuns que travam a restituição e levam à malha fina
O principal erro continua sendo a divergência entre o que o contribuinte informa e o que as fontes pagadoras enviam. Um salário lançado errado, um rendimento “esquecido” de segundo emprego, um banco que informou valores e você não lançou — pronto, bateu inconsistência. Outro ponto crítico são despesas médicas: muita gente lança valores sem recibo válido, sem CPF/CNPJ do prestador ou sem relação clara com o titular/dependente. E tem ainda dependente duplicado (ex-casal declarando a mesma pessoa) e investimentos lançados sem atenção a informes, principalmente quando houve vendas, resgates ou movimentação em corretora.
Também dá problema quando a pessoa mistura finanças pessoais com recebimentos de prestação de serviços e tenta “sumir” com entradas recorrentes. Não é sobre o meio (Pix, transferência, cartão), é sobre a natureza do dinheiro. Se virou renda, pode ser tributável e precisa estar coerente com a declaração. A recomendação profissional é simples: confira seus informes de bancos/corretoras, revise rendimentos por fonte, valide despesas dedutíveis e guarde comprovantes organizados por mês. Uma revisão cuidadosa antes do envio evita 90% dos travamentos.
Checklist rápido: o que separar agora para declarar com segurança
Para ganhar tempo e reduzir erros, separe um “pacote” de documentos antes de abrir o programa: informes de rendimento de empresas e bancos, extratos anuais de corretoras, comprovantes de despesas médicas e educacionais, recibos de aluguel (pagos e recebidos), documentos de compra/venda de bens (carro, imóvel) e dados de dependentes. Se você é autônomo, organize entradas e despesas vinculadas à atividade para não lançar números “no chute”. Quem investe deve conferir posições, rendimentos e eventuais operações que geram obrigação de informar.
Na prática, essa organização define o ritmo da sua restituição. Quem entrega cedo e sem inconsistência entra mais rápido no fluxo de processamento. Já quem envia com dados incompletos costuma cair em pendência e depois precisa retificar, o que empurra o caso para trás. Se você quer profissionalizar isso, faça uma pasta por ano (digital ou física), crie uma lista de “fontes de renda” e outra de “despesas dedutíveis” e só declare o que consegue comprovar. Esse método é o mais usado por contadores para reduzir risco e acelerar o processo.